quinta-feira, 9 de abril de 2015

rápido.

eu lamento
que não possa falar-te agora.
eu te ausento
a força de um alento que penhora.
eu entendo
que tragas no peito um amor que é meu.
mas não nego
que é agora que quero o gosto teu.
se eu te tenho
é quando um dia não dura mais nada.
se é sem vida
é longe que tua poesia é entoada.
vem pra mim
que é do teu lado que viro luz.
não demora
pr'eu viajar nos teus olhos azuis.
esquece a vida
faz da morte o escárnio a dois.
mas não sofre
só a luz no perfeito que sois.


domingo, 29 de março de 2015

soneto de morrer de amor

e se eu morresse agora?
do teu amor me padecesse?
terias ainda o gosto do beijo
e a vontade de ficar?

e se agora eu me esfriasse
por trazer o fogo ao corpo
e tornar-te rubro a face
pra gozar-te do meu gozo

no axioma do nosso afeto
eu crio e reviro as frases
adefuntado de amor idioleto

no oximoro da nossa sina
este defunto cheio de vida
por ti é mortalmente apaixonado

terça-feira, 10 de março de 2015

poesia sem nome.

de tantas vezes que já vim
não trago ao certo o que acontece,
só o trago do teu beijo me sorri
transforma qualquer verbo em algo incerto.

te olho nos olhos, a ponto de ver-te nua.
nua da face, da carne, mas cheia da alma.
absurdo é tentar encontrar qualquer pranto
que traga o sentido do que é nosso canto.

transforma-se em nada as coisas que falo.
parece que, ao passo do cheiro que exalas
eu perco por fim conteúdo poético,
a poesia me é feia pros teus olhos certos.

não,
nada que eu diga
nada que eu pense
mostra metade
do mundo que mostras
da vida que trazes
do beijo que beijas
e do amor que eu amo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

os erros.

eu sei lá
o que é que te acontece
só parece
que tanto faz.

minha paz
que já estava balançada
parece violada
quando não me falas mais.

deixo estar
ou fico esperando o dia todo
o teu sinal
pra que tudo fique bem.

talvez eu
que já não seja mais o mesmo
veja em ti
os erros que são meus.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

pouca coisa.

parece que posso ainda te ouvir.
frases não ditas num vácuo de tempo.
água que benze a madrugada,
longe da vida que agora lamento.

e o tempo que entorta aquilo que sinto?
que tempo tão vil que agora se deu.
é de se ver que ali era de paz.
era um sorriso incontido atrás.

era uma estrada, um abraço, um lamento.
eram dois olhos que ouviam atentos.
era um carinho, algoz de uma vida.
o mesmo carinho, ator de uma sina.

era uma dúvida, bela e recíproca.
era uma valsa, era uma ginga.
era de lágrima essa tal ventania,
que lá fora andava estancando alegria.

atravessa fronteiras, invade as almas.
dá tom ao assunto, fagulhas nas palhas.
que história tão bela que sonha que valha,
que veio só agora, na hora errada.

sábado, 14 de setembro de 2013

momento.

os dias vão cruzando histórias,
o tempo vai eternizando, então...
nem tudo eu vejo mais do mesmo jeito,
o jeito é aceitar que não é só mais eu...

o tempo vem como o céu em pranto.
trazendo a calmaria em seu próprio manto.
fazendo agora doer mais que um tanto.
e um tanto que é te ver em meu futuro.

de meses atrás, aos tempos que vem.
não é mais lugar, nem é mais daqui,
um plano acima, uma nota a mais,
cadência da era, palavras do bem.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

hoje.

e aí eu te olho.
e aí eu caio.
caio numa imensidão rasa,
que me suga pra sempre.

e aí eu te desejo,
te quero rente a pele,
quente como um fogo,
que se esquece de parar.

e aí se faz pra vida,
se faz pro mundo inteiro,
o que nunca foi de sonho,
meu amante desespero.

e aí se faz minha vida.
e aí se faz meus olhos.
e aí me pega a mão.
e aí me faz meu sal.