terça-feira, 10 de março de 2015

poesia sem nome.

de tantas vezes que já vim
não trago ao certo o que acontece,
só o trago do teu beijo me sorri
transforma qualquer verbo em algo incerto.

te olho nos olhos, a ponto de ver-te nua.
nua da face, da carne, mas cheia da alma.
absurdo é tentar encontrar qualquer pranto
que traga o sentido do que é nosso canto.

transforma-se em nada as coisas que falo.
parece que, ao passo do cheiro que exalas
eu perco por fim conteúdo poético,
a poesia me é feia pros teus olhos certos.

não,
nada que eu diga
nada que eu pense
mostra metade
do mundo que mostras
da vida que trazes
do beijo que beijas
e do amor que eu amo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

os erros.

eu sei lá
o que é que te acontece
só parece
que tanto faz.

minha paz
que já estava balançada
parece violada
quando não me falas mais.

deixo estar
ou fico esperando o dia todo
o teu sinal
pra que tudo fique bem.

talvez eu
que já não seja mais o mesmo
veja em ti
os erros que são meus.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

pouca coisa.

parece que posso ainda te ouvir.
frases não ditas num vácuo de tempo.
água que benze a madrugada,
longe da vida que agora lamento.

e o tempo que entorta aquilo que sinto?
que tempo tão vil que agora se deu.
é de se ver que ali era de paz.
era um sorriso incontido atrás.

era uma estrada, um abraço, um lamento.
eram dois olhos que ouviam atentos.
era um carinho, algoz de uma vida.
o mesmo carinho, ator de uma sina.

era uma dúvida, bela e recíproca.
era uma valsa, era uma ginga.
era de lágrima essa tal ventania,
que lá fora andava estancando alegria.

atravessa fronteiras, invade as almas.
dá tom ao assunto, fagulhas nas palhas.
que história tão bela que sonha que valha,
que veio só agora, na hora errada.

sábado, 14 de setembro de 2013

momento.

os dias vão cruzando histórias,
o tempo vai eternizando, então...
nem tudo eu vejo mais do mesmo jeito,
o jeito é aceitar que não é só mais eu...

o tempo vem como o céu em pranto.
trazendo a calmaria em seu próprio manto.
fazendo agora doer mais que um tanto.
e um tanto que é te ver em meu futuro.

de meses atrás, aos tempos que vem.
não é mais lugar, nem é mais daqui,
um plano acima, uma nota a mais,
cadência da era, palavras do bem.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

hoje.

e aí eu te olho.
e aí eu caio.
caio numa imensidão rasa,
que me suga pra sempre.

e aí eu te desejo,
te quero rente a pele,
quente como um fogo,
que se esquece de parar.

e aí se faz pra vida,
se faz pro mundo inteiro,
o que nunca foi de sonho,
meu amante desespero.

e aí se faz minha vida.
e aí se faz meus olhos.
e aí me pega a mão.
e aí me faz meu sal.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

não é em vão.

eles não sabiam que eram nós.
eles só queriam ter sua voz.
sua prisão era sua farda,
suas bombas, sua arma.

outros, tão grandiosos,
ousavam gritar seu verde.
exércitos da paz,
sempre, sempre pedindo mais.

acordou! agora é certo!
que o gigante adormecido
mostre a flâmula do amor,
mostre a cara, erga a voz.

apague a Globo, pelo globo!
não seja manipulado.
e que se Veja muito mais.
que se dizime tanto ódio,

que se acabe toda dor,
que se ouça nova música,
que se ergam as bandeiras,
que não caia a escuridão.

não são 20 centavos,
nada disso é em vão!
afasta de nós este cale-se.
unidos, todos são.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Gritos de Paz

Era preto e branco,
era paz e era voz.
Eram passos de um gigante,
que sofria de um algoz.

Eram flores, eram abraços.
Eram gritos, eram laços.
Abaixo à violência, abaixo à rebeldia.
Eram, de um país, os braços.

Mas era cinza a resposta,
assassinos mascarados.
Em sua sigla, duas letras,
pro lado errado, braços dados.

As árvores caiam,
multidões espatifadas.
Dentre a copa, sangue havia.
E das copas, não sobrava.

A cada bomba, um abraço.
A cada bala, clamo paz.
Pra não dizer que não falei das flores,
BRASIL, ACORDA, LEVANTA E FAZ.